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Pensamento e sujeitos

Sou um sujeito sujeito a tudo Dieter Roos

1. Sujeito e assujeitamento: o assujeitamento instaura o sujeito, o sujeito ascético/cético é um sujeito (desegoçado) que é independente de suas crenças e desejos. Este é o interlocutor de uma conversa com o cético (global). Este interlocutor, no entanto, não é inteligível uma vez que, ao não possuir crenças, desejos e dúvidas, não pode se apoiar sobre dúvidas que tem como fixas. O cético tem que ter algo assujeitado. (O argumento da dúvida global, por exemplo, pode ser apresentado assim: "duvido de p1", "duvido de p2", ... "portanto, duvido de tudo". Ora, para que o cético conclua a partir destas premissas ele tem que lembrar (possuir) estas dúvidas, e portanto tem que assujeitar algo. Descartes, claro, oscila entre o cético global e o cético acerca de tudo menos sua própria vida mental - o teatro cartesiano.) Se de fato sujeitos estão intimamente ligados a um conjunto assujeitado de crenças, desejos etc, parece que uma autoridade de primeira pessoa sobre nossa vida mental não pode ser eliminada across the board (ver capítulo 4 do Moran). Parece que nenhuma futura ciência do mental (em terceira pessoa) pode tornar irrelevante a autoridade de primeira pessoa. A telepatia, entendida como alguma coisa parecida com a introspecção de outras mentes, também fica sendo ininteligível. Uma outra conseqüencia da crítica à noção ascética de sujeito (onde ele é no máximo um standpoint) é um argumento contra o ceticismo (global) e contra as pretensões da epistemologia clássica de instaurar um processo de justificação coming from nowhere (ver O intelectus com os pés na res).